CFM manda apurar assistência médica a Bolsonaro no DF
Conselho determina sindicância após relatos de intercorrências clínicas

O Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou nesta quarta-feira (7) que o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) instaure uma sindicância para apurar denúncias relacionadas à garantia de assistência médica adequada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em nota, o CFM afirmou que “declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas” envolvendo o ex-chefe do Executivo “causam extrema preocupação à sociedade brasileira”. O órgão destacou que a autonomia do médico assistente deve ser soberana na definição da conduta terapêutica, sem sofrer influências externas.
Na madrugada de terça-feira (6), Bolsonaro sofreu uma queda e bateu a cabeça na cela da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por condenação relacionada a um plano de golpe de Estado. Após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi levado ao Hospital DF Star na manhã desta quarta para a realização de exames.
O CFM também mencionou o histórico de problemas de saúde do ex-presidente, que se recupera de intervenções cirúrgicas decorrentes da facada sofrida em 2018. Na véspera, Moraes havia negado a transferência imediata ao hospital, ao entender não haver necessidade naquele momento, e solicitou à PF a apresentação de laudo médico.
O documento foi enviado ainda na tarde de terça-feira e apontou sinais de possível queda da cama, com lesão superficial no rosto e presença de sangue. Na noite de terça, o cardiologista Brasil Caiado, que acompanha Bolsonaro, relatou à imprensa que o ex-presidente apresentava apatia, tontura e leve queda da pálpebra esquerda, sem dor, aguardando liberação para exames hospitalares. O CFM é presidido desde 2022 pelo médico José Hiran da Silva Gallo.
Leia a íntegra da nota do CFM
“O Conselho Federal de Medicina (CFM), no estrito cumprimento de suas atribuições legais, manifesta-se sobre a condição de saúde do ex-Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.
O recebimento formal de denúncias protocoladas no CFM expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada ao paciente. Além disso, declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas causam extrema preocupação à sociedade brasileira.
Os relatos de crises agudas de características diversas, episódio de trauma decorrente de queda, o histórico clínico de alta complexidade, sucessivas intervenções cirúrgicas abdominais, soluços intratáveis, e outras comorbidades em paciente idoso, demandam um protocolo de monitoramento contínuo e imediato, em que deve ser assegurada assistência médica com múltiplas especialidades pelo estado brasileiro, inclusive em situações de urgência e emergência.
O CFM reafirma que a autonomia do médico assistente deve ser soberana na determinação da conduta terapêutica, não podendo sofrer influência de qualquer natureza, por possuir presunção de verdade.
Em obediência ao disciplinado em lei e ao Código de Processo Ético-Profissional, o CFM determinou ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, a imediata instauração de sindicância para apuração dos fatos.”