Dias Toffoli libera depoimentos sobre caso Banco de Brasília–Master

Banqueiros e Banco Central detalham crise de liquidez, suspeitas em créditos e negociação frustrada

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou na última quinta-feira (29) o sigilo dos depoimentos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB); e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC).

Os relatos integram investigações sobre a venda de carteiras de crédito e a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília.

Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro negou que créditos atribuídos à empresa Tirreno fossem falsos e afirmou não ter conhecimento das operações. Segundo ele, a transação de venda das carteiras ao BRB não foi concluída e não houve pagamento nem venda envolvendo a Tirreno. O banqueiro disse ainda que, diante de falhas documentais, tanto o Master quanto o Banco Central agiram com rapidez.

Vorcaro reconheceu que o Banco Master enfrentava uma crise de liquidez, que atribuiu a mudanças no regulamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Afirmou que o plano de negócios da instituição era integralmente baseado no fundo e que o banco permaneceu solvente até novembro. Também negou facilitação política nos negócios com o BRB e disse que, se tivesse influência relevante, não estaria sob medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que o banco adquiria mensalmente carteiras do Master com cláusula de recompra, mas passou a aprofundar a análise após identificar alterações no padrão documental e dificuldades de acesso a informações. Segundo ele, a situação levou a cobranças diretas a Vorcaro.

Costa relatou que, em dezembro de 2024, uma carteira passou a gerar reclamações de clientes e questionamentos do Banco Central. No mês seguinte, o Master solicitou a recompra do ativo, aceita pelo BRB sem que houvesse ciência de que se tratava de uma DPI (Declaração de Política de Investimento). Ele disse que a recompra imediata de todas as carteiras poderia provocar uma quebra em cadeia de instituições financeiras e gerar perdas significativas ao BRB.

Sobre a negociação para compra do Banco Master, Costa afirmou que o acordo previa a saída de Vorcaro do controle societário, mudança do nome do banco e a incorporação apenas de ativos compatíveis com o perfil de risco do Banco de Brasília. Segundo ele, após auditorias e pareceres independentes, a análise indicou a absorção de R$ 51,2 bilhões dos cerca de R$ 75 bilhões em ativos do Master.

Já o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes da decretação da liquidação extrajudicial, apesar de possuir cerca de R$ 80 bilhões em ativos totais. Ele comparou o caso ao do Banco Cruzeiro do Sul, citando semelhanças na emissão de créditos inexistentes e no uso de técnicas para driblar a Central de Risco de Crédito.

Aquino negou ter sofrido qualquer pressão política para decretar a liquidação do banco e disse que todos os requisitos legais foram observados na decisão.

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