Tarcísio afirma que Lula ‘nunca fez força’ para estabelecer diálogo com os EUA

Governador de São Paulo negocia diretamente com estados e empresas norte-americanas para conter impactos econômicos das tarifas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a criticar nesta sexta-feira (25) a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação à política externa, especialmente diante das tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Em entrevista à Rádio Cruzeiro FM, de Sorocaba (SP), Tarcísio afirmou que o governo federal “nunca fez força” para estabelecer interlocução com os Estados Unidos e que a ausência desse diálogo contribuiu para a crise atual.

“Infelizmente, o governo federal não tem essa interlocução com os Estados Unidos, nunca fez força para ter”, declarou o governador.

Diante da escalada tarifária, Tarcísio disse que tem buscado alternativas por conta própria. Segundo ele, o governo paulista iniciou conversas diretas com autoridades estaduais norte-americanas e com grandes empresas dos Estados Unidos que também serão afetadas pelas medidas.

“O governo do estado tem tentado conversar com governos nos estados norte-americanos e com as empresas norte-americanas, porque essa medida ela é ruim para todo mundo, para as empresas brasileiras e para as empresas norte-americanas”, afirmou.

Tarcísio destacou o impacto que as tarifas podem gerar na cadeia de produção do suco de laranja, setor dominado por São Paulo.

“O estado de São Paulo produz 80% do suco de laranja do Brasil e o Brasil fornece 80% do suco de laranja que é consumido no mundo. Não é um produto que você tenha substituto, porque ninguém mais produz”, explicou.

Ele citou empresas como Coca-Cola e Pepsico como exemplos de gigantes que serão prejudicadas e que, segundo ele, já demonstram disposição para pressionar as autoridades dos EUA contra a medida.

Além das críticas à condução diplomática do governo federal, o governador também responsabilizou declarações recentes do presidente Lula e de seus aliados pela deterioração das relações bilaterais.

“Falaram em sistema alternativo ao Swift, moeda alternativa ao dólar, provocaram os americanos enquanto puderam e se aliaram com um bloco de China e Rússia. Então isso provocou essa reação dos Estados Unidos”, afirmou Tarcísio, em referência à proposta de criação de uma moeda comum entre os países dos Brics.

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