Gilmar quer força-tarefa tecnológica contra ‘deep fakes’ nas eleições
Ministro sugere parceria do TSE com provedoras de ferramentas de inteligência artificial, peritos técnicos e instituições acadêmicas
O ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, defendeu nesta terça-feira (3) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) crie uma força-tarefa com peritos técnicos e instituições acadêmicas para identificar conteúdos produzidos por inteligência artificial (IA) com celeridade, durante a campanha eleitoral deste ano. A iniciativa deve focar nas montagens extremamente realistas, denominadas deep fakes, que manipulam vídeos, áudios e imagens e podem ludibriar eleitores.
Para Gilmar, que atua como ministro substituto no TSE, a Justiça Eleitoral deve firmar parcerias com empresas provedoras de ferramentas de IA que atuem no ramo deep fake, e contribuam com o cerco ao uso indevido dessas manipulações.
Ao abrir as audiências públicas do TSE que se estendem até quinta-feira (5), o ministro concluiu que a Justiça Eleitoral não pode limitar sua atuação a uma postura reativa ou exclusivamente punitiva. Mas no debate de propostas sobre as resoluções eleitorais deste ano, Gilmar sugeriu que a capacidade técnica do TSE seja fortalecida para uma postura proativa e preventiva frente as deep fakes.
“A cooperação com esses atores é fundamental para viabilizar medidas de prevenção como mecanismos de rastreabilidade, rotulagem de conteúdos gerados artificialmente, salvaguardas contra o uso abusivo de ferramentas de geração de deep fakes e respostas céleres diante de usos ilícitos ou eleitoralmente desestabilizadores”, defendeu Gilmar Mendes.
Tal força-tarefa seria constituída por meio de credenciamento prévio de especialistas e centros de pesquisa universitárias. O que, para Gilmar Mendes, pode contribuir para a maior segurança técnica, agilidade decisória e legitimidade institucional na resposta a desafios complexos associados ao uso de inteligência artificial. (Com ABr)