Lula ignora histórico e se aproxima do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi
Presidente conversa por 45 minutos com premiê indiano alvo de controvérsias por violações de direitos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve nesta quinta-feira (22) uma conversa telefônica de 45 minutos com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, líder com histórico marcado por controvérsias internacionais, acusações de conivência com violência sectária e decisões econômicas duramente criticadas.
Segundo o Itamaraty, o diálogo tratou dos preparativos para a visita de Lula à Índia, prevista para ocorrer entre 19 e 21 de fevereiro, além do fortalecimento da cooperação bilateral em áreas como defesa, comércio, saúde, ciência e tecnologia, energia, biocombustíveis, minerais críticos e terras raras.
A aproximação ocorre apesar do passado político de Modi. Quando era ministro-chefe do estado de Gujarat, em 2002, mais de mil pessoas — em sua maioria muçulmanos — morreram em distúrbios sectários. Embora tenha sido formalmente isentado de responsabilidade em investigações conduzidas por um órgão especial indicado pela Suprema Corte indiana, as acusações de omissão diante da violência persistem e chegaram a motivar a proibição de sua entrada nos Estados Unidos por quase uma década.
Modi também é alvo de críticas por medidas econômicas de forte impacto social, como a retirada abrupta de 86% das cédulas em circulação na Índia, decisão que provocou caos econômico e não atingiu os objetivos declarados de combate ao dinheiro ilegal.
Apesar desse histórico, Lula e Modi destacaram convergência política. De acordo com o governo brasileiro, os dois defenderam uma “reforma abrangente” da Organização das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança, além de reiterarem compromisso com a paz em Gaza, o multilateralismo e a democracia.
Nas redes sociais, Modi afirmou que a parceria estratégica entre Índia e Brasil vive um “forte impulso” e deve avançar ainda mais no próximo ano. Lula, por sua vez, destacou a troca de impressões sobre a conjuntura internacional.
Segundo a CNN, integrantes do governo classificam a futura viagem à Índia como a maior missão de abertura de mercados da atual gestão na Ásia. A visita será o ponto alto de um processo de aproximação iniciado em julho do ano passado, quando Modi esteve no Brasil, em movimento que agora passa a ser questionado por críticos diante do histórico político do premiê indiano.