Lula tenta capitalizar acordo Mercosul-UE às vésperas da assinatura
Presidente se reúne com líderes e busca protagonismo forçado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta sexta-feira (16) com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, um dia antes da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, no Paraguai.
O objetivo do Planalto é concentrar as declarações no avanço do tratado e reforçar a imagem de Lula como principal articulador político da conclusão do acordo, negociado ao longo de mais de duas décadas por diferentes governos.
A assinatura da declaração conjunta com os líderes europeus é vista como parte dessa estratégia de protagonismo, em meio à tentativa do presidente de associar sua gestão à consolidação do maior acordo comercial do mundo, que criará uma zona de livre comércio com cerca de 720 milhões de habitantes e PIB combinado de US$ 22 trilhões.
O Itamaraty recomendou cautela ao presidente em temas sensíveis da política externa, como a crise na Venezuela e as recentes ações dos Estados Unidos. A orientação, liderada pelo chanceler Mauro Vieira, foi para que o assunto ficasse restrito à diplomacia, evitando declarações públicas que pudessem gerar atritos desnecessários.
Apesar da recomendação, Lula voltou a criticar a atuação unilateral dos EUA na Venezuela, classificando-a como inaceitável e um precedente perigoso, o que reacendeu o debate sobre o equilíbrio entre condenação política e o princípio da não-intervenção defendido oficialmente pelo governo brasileiro.
O Brasil participou de discussões sobre o tema na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), sem que houvesse consenso entre os países-membros, reforçando a falta de uma posição regional unificada. Após a assinatura, o acordo ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos Legislativos nacionais dos países do Mercosul, etapa considerada decisiva para a efetiva entrada em vigor do tratado.