Ex-presidente do Rioprevidência é preso pela Polícia Federal
Detenção ocorre na 2ª fase da Operação Barco de Papel, que apura aplicações no Banco Master

O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso nesta terça-feira (3) por agentes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro.
Deivis foi abordado após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, alugar um carro e seguir viagem em direção ao Rio de Janeiro. Ele foi encaminhado à delegacia da PF em Volta Redonda e, posteriormente, será transferido para a capital fluminense.
A prisão temporária integra a segunda fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro nacional relacionados à gestão de recursos do Rioprevidência e está inserida no escopo das apurações envolvendo o Banco Master.
A 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou três mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão, com base em indícios de obstrução das investigações e ocultação de provas. As diligências foram cumpridas nesta manhã em endereços no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.
A investigação teve início em novembro de 2025 e apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões do fundo previdenciário estadual em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Segundo a Polícia Federal, são investigados crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública a erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em 19 de novembro, encerrando as atividades da instituição. À época, o Rioprevidência informou que havia investido aproximadamente R$ 960 milhões no banco e afirmou que o pagamento de aposentadorias e pensões não seria afetado.
O órgão destacou que o valor aplicado era inferior à folha mensal de benefícios, estimada em R$ 1,9 bilhão, custeada majoritariamente por receitas de royalties e participações especiais. De acordo com o fundo previdenciário, os investimentos foram realizados entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.