Chevrolet Onix RS tem estilo mas peca em alguns pontos cruciais
Testamos a versão de visual esportivo que passa a ser a topo de linha do hatch e que tem equipamentos a menos e preço a mais do que deveria

A busca incessante por modelos mais altos fez com que os SUVs se destacassem cada vez mais no mercado automotivo brasileiro – e mundial. Há mais de 10 anos os utilitários urbanos vêm ganhando espaço nas ruas e nas garagens Brasil afora e, com isso, dominando outros segmentos, mesmo alguns queridinhos.
Os primeiros a sucumbirem à onda dos SUVs foram os hatches médios e as peruas. Com o tempo, os monovolumes perderam espaço também. Atualmente, os sedãs são os “alvos” da vez, enquanto os médios estão praticamente extintos, os compactos andam a passos largos para o fim de uma era.
Das principais categorias, uma ainda tenta fazer frente aos utilitários, justamente a de entrada, a dos hatches compactos. Até por conta da proposta, de ser modelos “mais acessíveis”, ela ainda tem espaço, com muitos modelos na disputa. Logo, ainda é um segmento que tem os mais variados tipos de representantes, de aspirados a elétricos.
Em um leque variado de opções, há um que já foi rei de todo o mercado brasileiro, o Chevrolet Onix. O hatch passou por uma breve atualização em agosto do ano passado para tentar ganhar fôlego em segmento que ainda é bem disputado. Mas apesar do estilo renovado, a nova opção topo de linha, a RS, nosso “Teste da Vez”, tem seus poréns.
Precificação
Um dos principais problemas do Onix é que, agora como versão topo de linha, a RS custa insalubres R$ 133.390. Tecnicamente, no geral da categoria, há outros cinco modelos mais caros, mas separando apenas os turbinados, ele só “perde” para o Volks Polo (R$ 136.990), contando os a combustão no geral, o Honda City também custa mais (R$ 154.800).
Os outros três mais caros são elétricos: GWM Ora 03 (R$ 154 mil), BYD Dolphin (R$ 149.990) e Geely EX2 (R$136.800), mas que tem versão por R$ 119.990. Os demais, Hyundai HB20 (R$ 131.190), Peugeot 208 (R$ 130.990), Fiat Argo (R$ 110.790), Citroën C3 You (R$ 108.290) e o elétrico BYD Dolphin Mini (R$ 119.990) são mais baratos que o Onix.
Reestilização
Em agosto do ano passado, a Chevrolet apresentou o facelift de meio de vida da segunda geração do Onix. Desta vez, a atualização, principalmente a externa, manteve o padrão visual do hatch. As alterações focaram a dianteira e o interior, tendo a maior delas no para-choque que, além do visual, passou a contar com um melhor ângulo de entrada.
O redesenho da peça possibilita um acesso melhor a garagens e na hora de passar por rampas inclinadas. Além dela, outros pontos foram atualizados como a grade (que tem acabamento em preto brilhante), o conjunto óptico, a luz de circulação diurna mudou de posição saindo do para-choque e indo para junto das lentes dos faróis, ambos em LED.
As rodas, que são escurecidas, também foram redesenhadas e, na traseira, o Onix passa a contar com um novo aplique na parte inferior e mantém o destacado aerofólio em preto brilhante, material também visto nas capas dos retrovisores e no teto. Coluna B e frisos das janelas são em preto fosco, com as maçanetas na cor da carroceria.
Por dentro, a principal e maior alteração. O Onix finalmente ganha painel de instrumentos 100% digital, seguindo o novo padrão visual da marca. No entanto, nele, as telas não estão exatamente alinhadas em uma peça única como nos irmãos. O display da central multimídia também foi atualizado e deixou de ser do tipo flutuante.
O painel frontal também foi redesenhado, no mais, tudo permanece igual, da manopla do câmbio ao apoio de braço, passando pelos comandos do ar-condicionado. A RS, por ter pegada esportiva, conta com detalhes em vermelho no interior, como nas costuras dos bancos e das portas, e nas saídas de ar. A unidade que testamos ainda contava com alguns acessórios, como luz ambiente, subwoofer e suportes de carga no porta-malas.
Como de costume, o acabamento interno é bem-feito, sem rebarbas ou peças mal encaixadas, apenas a insistência em materiais mais brutos, com plástico duro, que peca. O espaço continua o mesmo, com quatro adultos viajando com conforto e quase impossível levar um quinto. O porta-malas mantém os 303 litros de capacidade.
Poderia mais
Sobre os equipamentos, um ponto curioso. Até então, a RS era uma versão intermediária do Onix, logo, ela teve um ganho de itens de série. Mas como a atual opção topo de linha, ela deixa um pouco a desejar, principalmente nos auxiliares e em relação aos concorrentes, alguns muito mais bem equipados, mesmo os que custam menos.
De série, ele vem com ar-condicionado digital de uma zona, chave sensorial, partida por botão, telas de oito polegadas para o painel de instrumentos e de 11 para a central multimídia, retrovisores elétricos, conexão sem fio com smartphone via Android Auto e Apple CarPlay, sistema OnStar, wi-fi embarcado e carregador de celular por indução.
Na parte da segurança, seis airbags, controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, piloto automático, câmera de ré, faróis full LED, monitoramento de pressão dos pneus e sensores crepuscular, de chuva e de estacionamento traseiro, lateral e dianteiro. De auxiliar de condução, apenas alertas de frenagem e de ponto cego.
Ou seja, nada de Adas. Nesta faixa de preço, deveria vir, no mínimo, com piloto automático adaptativo, assistente de permanência em faixa e auxiliar de frenagem, sem falar em um freio de estacionamento eletrônico. Mas o mais estranho é ele não ter estacionamento automático, que vem na Premier que custa R$ 1 mil a menos.
Mais do mesmo
Como de costume do mercado, o facelift do Onix focou no visual e em um ou outro equipamento, como nas telas, a motorização em si, não foi modificada. Na RS, ele mantém o conhecido 1.0 turbo, que chegou a ter 121 cavalos entre 2024 e 2025, mas para se adequar às exigências ambientais do Proconve PL8, atualmente rende 115 cavalos.
O torque é de 16,8kgfm e a caixa de força está ligada ao câmbio automático de seis velocidades e direção elétrica. Praticamente com a mesma potência, a dirigibilidade do hatch permanece exatamente igual, com acelerações firmes. Ele conta com um leve delay no acelerador, que pede um pouco mais de pressão para realizar as principais manobras.
Mesmo assim, com a força certa exercida sob o pedal do acelerador, o hatch responde bem e realiza manobras como saídas, retomadas e ultrapassagens com precisão, além de ter uma boa tocada. A dirigibilidade é a mesma já conhecida desde que ele ganhou o motor turbo. É fácil, confortável, seguro, gostoso e até divertido dirigi-lo.
O câmbio, também velho conhecido, atua bem, com trocas suaves e sem trancos, funcionando de forma otimizada. Mas como sempre, falta opção de troca manual no volante, as teclas na alavanca não são funcionais e as borboletas poderiam trazer uma tocada mais esportiva ao modelo. O consumo ficou na média de 12.3km/l.
A opinião do Diário Motor
O grande porém do Onix, que não é exclusividade dele como vimos na precificação, é o alto valor pedido. Talvez hoje, a categoria que mais destoa na relação preço versus entrega é justamente a de hatch compacto. Todos estão fora da realidade e com o da gravata não é diferente. Ele tem suas qualidades, como uma boa dirigibilidade, confortável e segura, e o visual diferenciado, principalmente a RS, otimizada pela recente renovação.
Os itens de série são honestos, deveriam ser bem melhores por conta do preço, com mais auxiliares de condução. Assim, o valor é que acaba ditando o ritmo, ainda mais hoje em dia com SUVs supercompactos, que são mais modernos e no estilo que público vem procurando cada vez mais, na mesma faixa, isso sem falar nos rivais elétricos. Por isso, ele vale o test drive com possível compra, mas apenas se conseguir um bom bônus! Nota: 6.
Ficha Técnica
Motor: 1.0 turbo
Potência máxima: 115cv
Torque máximo: 16,8kgfm
Transmissão: automática de 6 velocidades
Direção: elétrica
Suspensão: independente na dianteira e semi-independente na traseira
Freios: a disco na dianteira e tambor na traseira
Porta-malas: 303 litros
Dimensões (A x L x C x EE): 1.474 x 1.746 x 4.169 x 2.551mm
Preço: R$ 133.390
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