Estados Unidos esvaziam agenda do G20 e elevam risco de impasses

Presidência americana reduz prioridades, rompe consenso construído por emergentes e enfrenta críticas internas ao bloco

Os Estados Unidos assumiram a presidência rotativa do G20 e promoveram uma guinada na agenda do grupo, ao reduzir de 15 para três os temas acompanhados diretamente pelos “sherpas”: comércio, inovação e energia abundante. A mudança, conduzida pelo governo Donald Trump, é vista como um esvaziamento do fórum e aumenta o risco de impasses e da ausência de declarações conjuntas.

Segundo a CNN, a principal controvérsia envolve o grupo de “energia abundante”, interpretado como defesa da ampliação da oferta global de petróleo, em contraste com a agenda de transição energética priorizada nos últimos anos. Também há ceticismo sobre a capacidade de consenso no eixo do comércio, diante da postura unilateral e protecionista adotada por Washington.

A presidência americana sucede quatro anos de coordenação liderada por países emergentes — Indonésia, Índia, Brasil e África do Sul. Sob comando brasileiro, em 2024, o G20 manteve uma agenda ampliada, com foco em sustentabilidade, clima, economia digital, desenvolvimento e empoderamento feminino, além da criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa que reuniu dezenas de países.

A ruptura ficou evidente já na primeira reunião de sherpas, em Washington, quando a África do Sul foi impedida de participar. Brasil, China, Austrália e Canadá protestaram contra o veto. Reservadamente, o governo brasileiro avalia que a postura dos EUA não é surpreendente e projeta 2026 como um ano de perda de relevância do G20. Diante disso, a diplomacia brasileira já volta suas atenções para 2027, quando o Reino Unido assumirá a presidência do grupo, e para a possibilidade de retomada da agenda anterior.

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