
No Japão lançou-se um inédito serviço de “funeral drive-through”. Funciona assim: você para seu carro diante de uma cabine e faz uma rápida prece pelo falecido, cujas cinzas são exibidas por um funcionário. E vai embora! Afinal, a vida segue!
Nos EUA uma empresa do ramo decidiu oferecer bebidas alcoólicas durante os serviços fúnebres. Após sete anos, indagada a respeito, tornou pública a informação de que esta opção é simplesmente um sucesso.
Do outro lado do Oceano Atlântico, na Irlanda, um padre investiu violentamente contra a prática de se oferecer cigarros e bebidas alcoólicas aos mortos. Sim, aos mortos. Eram garrafas de cerveja e maços de cigarro se amontoando pelos altares das igrejas, em homenagem aos falecidos – o que levou o sacerdote a clamar por “lembranças mais adequadas”.
Na distante Madagascar a queixa veio de epidemiologistas. Suplicaram pelo abandono da tradição de dançar com os mortos pelas ruas, sob a crença de que ajudarão a repelir pragas e epidemias. Em alguns casos, caso ninguém tenha morrido, chega-se ao ponto de desenterrar um corpo, digamos, mais “veterano”.
Em Hong Kong algumas famílias chegam a esperar quatro longos anos até que lhes seja disponibilizado um espaço para depositar as cinzas de um ente querido – que apenas então poderá “descansar em paz”.
Encerro esta relação tenebrosa na Malaysia, país no qual políticos foram alertados pela Igreja Católica no sentido de que as cerimônias realizadas nos cemitérios não devem ser usadas para fins eleitorais – solicitou-se, especialmente, que não fossem afixados cartazes ou distribuídos panfletos que, enquanto elogiavam os mortos, buscavam apoio para as eleições seguintes.
Alguém diria que em cada uma dessas cerimônias observava-se a morte de algum semelhante nosso. Nada mais falso. Observava-se, na verdade, a nossa.