O Irã atravessa um de seus períodos mais instáveis ​​desde a Revolução Islâmica de 1979. Anteriormente conhecido como Pérsia, é um dos berços da civilização e a primeira superpotência da história. A cultura iraniana influenciou várias nações, mantendo rica tradição em arte, arquitetura, literatura e ciência ao longo dos séculos

Durante mais de 200 anos, o Império Persa ampliou-se em três continentes (Ásia, África e Europa) e conquistou até antigas potências, como o Egito faraônico e o Segundo Império Babilônico. A partir do território que hoje é o Irã, os persas dominaram áreas que correspondem a cerca de 20 países.

Protestos ameaçam regime

O Irã é uma teocracia desde 1979, quando clérigos derrubaram o monarca Mohammad Reza Pahlavi – um aliado do Ocidente – e estabeleceram a República Islâmica do Irã, sob a liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini

Atualmente, o Irã está mergulhado em onda de protestos massivos, que se espalharam por mais de 100 cidades em todas as 31 províncias. Ao contrário de movimentos anteriores, o governo não tem conseguido reprimir as revoltas. Estima-se mais de 3.000 mortos, o pior índice da história recente do Irã.

Forças governamentais abrem fogo, de forma indiscriminada, contra manifestantes desarmados. Funcionários de hospitais dizem que os manifestantes chegam com ferimentos graves. Ao se recuperarem são presos. As famílias que vêm receber os corpos dos mortos são forçadas a fazer confissões humilhantes: elas têm que dizer que os ‘terroristas’ os mataram.”

Causa dos protestos

A principal causa dos protestos são os comerciantes de bazares do Irã, a classe que foi a espinha dorsal da Revolução Islâmica de 1979. Agora, voltaram-se contra os clérigos, que ajudaram a levar ao poder. A frustração entre os comerciantes vem crescendo, fazendo com que eles apoiem a queda do regime.

Trump

Trump, anunciou tarifa de 25% para países que fazem negócios com o Irã e disse que “a ajuda está a caminho. Continuem protestando. Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto”. As ameaças ganharam ainda mais força após a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

No entanto, alguns assessores de Trump alertam que o Irã representa um cenário muito desafiador, com incertezas que põem em risco a promessa de “resgatar” os manifestantes

Economia debilitada

A situação econômica do Irã é grave com escassez de água e energia, déficits orçamentários impressionantes e uma moeda desvalorizada. O Conselho de Segurança das Nações Unidas reimpôs duras sanções, por causa de seu programa nuclear

Diante de tantas circunstâncias desfavoráveis, a previsão do Banco Mundial é que a economia do Irã “encolha” em 2026 e que a inflação atinja 60%. Realmente, um quadro que não permite prognósticos otimistas para o país.

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente da CCJ da Câmara Federal – ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, procurador federal – nl@neylopes.com.br – blogdoneylopes.com.br
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