O discurso do Primeiro Ministro do Canadá em Davos, neste ano, deve ser lido, com atenção, por todos que se interessam pelo futuro da humanidade. Ele se refere a atual crise internacional como uma ruptura histórica/civilizacional, o que é verdade.

Um brutamontes idiota, truculento, apoiado por um eleitorado norte-americano confuso, desnorteado e mal informado, conquistou, de acordo com as regras da Democracia, o Poder da nação mais poderosa do planeta. Por suas sucessivas ações, no último ano, destruiu a ordem internacional.

O agravante é que não temos nenhum projeto global que possa ser oferecido para substituir o que se despedaça. Os povos totalmente desinformados e os dirigentes nacionais aparvalhados, sem entender o que está acontecendo, estão paralisados.

Insisto, uma vez mais, que precisamos voltar ao início da construção da Civilização Ocidental, quando premissas éticas foram fixadas e normas morais decorrentes foram adotadas, como balizadores do difícil caminho a ser percorrido, por décadas. A maior parte deste trabalho, indispensável, foi conduzido, no passado, pelas Religiões Cristãs Históricas. A Europa, onde tudo começou, no dizer do mestre Fernand Braudel, tem um “sangue cristão, mesmo quando se proclama ateia”. A ética cristã é uma ética unificadora, explicitada por indicações morais específicas, que lastreiam a democrática elaboração de Constituições e Leis.

É todo um novo mundo a ser reconstruído. Para que isso aconteça mulheres e homens, competentes, honestos, com verdadeiro amor pelo próximo, precisam se organizar e agir, antes que a canalha se articule e preencha, novamente, o vazio político que está se alargando. Depois, no decorrer do longo processo de reconstrução da nova ordem mundial, iremos discutindo os detalhes para garantir, sempre, a primazia da Liberdade, da Justiça, da Solidariedade e da Paz, os pilares maiores da Democracia.

Mãos à obra “gente boa”. Não se importem com os deboches de sermos considerados ingênuos sonhadores. Temos, sim, um sonho de convivência democrática, onde a canalhada incompetente e corrupta não terá espaço para participar.

Eurico de Andrade Neves Borba, escritor, 85, aposentado, ex professor da PUC RIO, ex Presidente do IBGE, mora em Ana Rech, Caxias do Sul.    eanbrs@uol.com.br
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