Rússia constrói rede secreta de espionagem

Não se trata da propaganda anticomunista. Uma investigação colaborativa obtida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, revela como nas profundezas do Mar de Barents, na fronteira com o Oceano Ártico, Moscou implantou uma rede submarina secreta composta por milhares de quilômetros de cabos, sensores e sonares. A série de reportagem é denominada “Secrets Russes”.

Utilizando empresas de fachada, Moscou tem acesso, desde 2012, a tecnologias “ocidentais avançadas”, que alimentaram uma rede submarina secreta, projetada para a proteger o seu arsenal nuclear no Ártico. Essa revelação parece impensável, em função da guerra na Ucrânia e a permanente ameaça militar russa contra a Europa.

 Moscou implantou um sistema de escuta e espionagem, projetado para detectar submarinos da OTAN e conta com equipamentos de ponta da Europa, Estados Unidos e Japão, adquiridos por meio de uma rede opaca de empresas fictícias.

Para construir o que denominou projeto “Harmonia”, a Rússia adquiriu um verdadeiro arsenal de bens chamados “de duplo uso”. Estes equipamentos, são projetados para aplicações civis, mas suscetíveis de serem desviados do seu uso para fins militares.

Entre os equipamentos que serviram para construir a rede “Harmonia”, figuram sonares americanos de alta precisão capazes de mapear o fundo dos mares e detectar as assinaturas acústicas dos submarinos; drones submersíveis britânicos, projetados para operar a vários milhares de metros de profundidade e coletar dados submarinos de forma autônoma; ou ainda antenas suecas, sistemas de posicionamento acústico de alta precisão alemães, bem como gravadores acústicos submarinos franceses. Ou seja, instrumentos destinados a transmitirem continuamente as informações coletadas nas profundezas marinhas.

Os cabos e os instrumentos de escuta adquiridos por Moscou foram instalados no Ártico por uma frota de nove barcos, comprados também, em sua maioria, a empresas ocidentais. Os navios simularam frota classificada na categoria de “pesquisa oceanográfica”, para esconder a natureza militar das operações.

“Segredos russos” abrange métodos de interferência e espionagem da Rússia, em países rivais. A Europa é a região mais atingida. Por isso, implanta um sistema de defesa integrado contra ameaças aéreas, mísseis e espaciais, que é considerado gasto desnecessário por Trump.

E agora?

Ney Lopes –  jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente da CCJ da Câmara Federal – ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, procurador federal – nl@neylopes.com.br – blogdoneylopes.com.br
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